
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais inaugura na próxima quinta-feira 27/4, às 19h30, a restauração do painel “A Imprensa”, da artista plástica Yara Tupynambá. Pintado em 1966, o painel ocupa uma parede da Casa do Jornalista (Avenida Álvares Cabral, 400, Centro, Belo Horizonte) e retrata o processo de produção da notícia pelos jornalistas. Esta foi a primeira restauração completa da obra (em 1995, ela tinha passado por uma limpeza) e foi também a primeira vez que a artista mineira realizou trabalho de tal fôlego em um dos seus painéis, que se encontram espalhados pelo país. Estarão presentes à solenidade Yara Tupynambá e representantes do Banco Mercantil do Brasil, que patrocinou a restauração, além de convidados.
“A Imprensa” foi o primeiro painel pintado por Yara Tupynambá. Ele tem cerca de 5,5 metros de comprimento por 2,7 metros de altura e mostra uma sequência de cenas, começando pelo trabalho dos jornalistas apurando os fatos e fotógrafos registrando imagens. Para pintá-las, Yara fez pesquisa em jornais. “As máquinas que eu retratei eram do jornal Estado de Minas”, contou a artista. Veem-se equipamentos que desapareceram, como um linotipo, rotativas e máquinas de escrever, uma redação antiga, meninos jornaleiros vendendo jornais na rua e populares discutindo as notícias, além de imagens de guerra.
A restauração começou em dezembro de 2016. Parte da pintura foi refeita e estragos provocados por cupins na madeira, recuperados. Pintado numa técnica que não se usa mais, o painel foi todo riscado com gilete, o que lhe dá uma aparência de xilogravura. Como a tinta emborracha usada no trabalho não existe mais, a restauração foi feita usando-se outra tinta, o que fez com que a obra passasse a conter duas pinturas, a original e a nova, segundo a autora.
Documento histórico
Yara contou que, ao refazer a pintura, ficou impressionada com as figuras humanas que aparecem na parte de baixo do painel. “Na época, era a Guerra do Vietnã que chocava a todos nós, hoje é o Estado Islâmico. Curiosamente, aquelas figuras centrais, que retratam a Guerra do Vietnã são iguais às do Estado Islâmico. A guerra é a mesma”, observou.
A artista chamou atenção para o fato de, passados mais de 50 anos, o painel ter ganhado um novo valor. “Ele passou a ser maior, passou a ser um documento de memória do jornalismo”, enfatizou, observando que os jovens jornalistas nem sabem o que é uma máquina de escrever e muito menos um linotipo. “É importante as pessoas terem essa memória.”
Famosa por seus 104 painéis e murais espalhados em cidades brasileiras, sete deles tombados pelo patrimônio histórico e cultural, Yara nunca tinha feito uma restauração completa de uma obra sua. “Já tinha feito pequenos acertos no mural Inconfidência Mineira, da UFMG, mas dessa dimensão, não”, contou. “Foi complicado, mas foi feito.”
Ela disse que ficou muito alegre de chegar à sua própria memória e trazer à tona as informações que estão no painel. “Fiquei muito satisfeita com o resultado. O painel reavivou, ficou bonito.”
A restauração do painel “A Imprensa” era um dos objetivos da atual diretoria do Sindicato e foi feita graças a uma ação conjunta da artista Yara Tupynambá e de um parceiro. O presidente Kerison Lopes ressaltou que a obra de arte enriquece o Sindicato e que já virou tradição os participantes de encontros na Casa do Jornalista tirarem fotos tendo o painel como fundo.
Memória descritiva escrita pela autora
Painel A Imprensa – colocado na Casa do Jornalista
Realizado em 1966 – restauração em 2017
Dimensões: 5,56m x 2,73m
Técnica: Tintas vinílicas sobre madeira preparada
Proteção: Verniz protetor liquibrilho
O mural A Imprensa foi realizado por indicação do Professor Luciano Peret, arquiteto responsável pela obra de adaptação da Casa para suas funções específicas.
O Tema: Tendo em vista sua colocação na Casa do Jornalista, órgão representativo dos profissionais da imprensa, procurei criar um tema que se referisse às atividades da classe, geradora das notícias que abordavam a vida brasileira e fatos internacionais que emocionavam as jovens gerações, naquele momento.
A guerra do Vietnã, as lutas na China pela liberdade de expressão, a destruição das populações pela violência, estes os temas mais discutidos nas redações dos jornais. Assim, a primeira cena representa imagens das discussões e trabalho para criação dos textos a serem abordados pelos jornalistas.
Os textos criados vão para a banca do linotipista, transformadas as notícias em palavras, que são enviadas às grandes máquinas impressoras, que imprimirão os jornais.
Impressos, os mesmos vão para as ruas, através do trabalho de divulgação e venda de exemplares pelos pequenos jornaleiros que, a partir das madrugadas, vão distribuir os jornais pelas ruas da cidade.
Em seguida, a televisão representada vai divulgar as imagens e textos recolhidos, assim fechando, com todo um trabalho conjunto, um círculo que vai do acontecimento ao público.
SERVIÇO
Inauguração do painel A Imprensa , de Yara Tupynambá
Local: Sindicato dos Jornalistas (Av. Álvares Cabral, 400, Centro, Belo Horizonte/MG)
Data: 27 de abril
Horário: 19h30
Entrada: Gratuita