
Em maio a Fundação Clóvis Salgado inaugura as exposições dos artistas selecionados pelo Edital de Ocupação de Artes Visuais da FCS, que chega à 10ª edição em 2017. A partir de 12 maio, estarão expostos no Palácio das Artes trabalhos de Éder Oliveira (Pintura – ou a Fotografia como violência), Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa (MãePreta) e Ricardo Burgarelli (PanAméricadsueño). A mostra fica em cartaz até 13 de agosto.
Os projetos escolhidos colocam em destaque tensões sociais da contemporaneidade em relação à representação social de mestiços na região Norte; o resgate do protagonismo da mulher negra na história do país; e a atual conjuntura sociopolítica do continente americano. “Considerando que a proposta do edital é valorizar a arte contemporânea, as obras acabam por refletir esse momento de tensões sociais que vivemos em nível mundial. É inevitável”, explica Uiara Azevedo, Gerente de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado.
Iniciativa já consolidada como um evento de destaque no cenário artístico nacional, o Edital de Ocupação de Artes Visuais da FCS busca fomentar a produção artística contemporânea em todo o Brasil. “Temos recebido cada vez mais trabalhos de todo o país. Isso é um reflexo da projeção do edital e do fortalecimento de um de seus principais objetivos: fomentar a produção e circulação de artes visuais no Brasil”, explica Uiara Azevedo.
Como prêmio, os artistas receberam R$4.000,00 (cada), para a montagem das exposições. Os selecionados também contam com apoio da FCS para publicação de catálogo e assessoria de imprensa para divulgação das exposições. Artistas como Adriana Maciel, André Griffo, Bete Esteves, Marcelo Armani, Nydia Negromonte e Ricardo Homen já tiveram seus trabalhos contemplados em edições anteriores do Edital.
Foram convidados para a seleção dos trabalhos Daniel Toledo, pesquisador e crítico em artes visuais; Manoel Macedo, galerista; e Marcos Hill, artista plástico, pesquisador e professor da UFMG.
SOBRE AS EXPOSIÇÕES
Pintura – ou a Fotografia como violência, de Éder de Oliveira
Galeria Genesco Murta - (PA)
O fascínio pelos retratos e a curiosidade por rostos desconhecidos inspiraram Pintura – ou a Fotografia como violência, trabalho do paraense Éder Oliveira. Aproximadamente 30 pinturas, divididas em 9 séries, denunciam a forma como o povo mestiço, grande parte da população do Pará, é retratado na pesquisa iniciada em 2004, que buscava investigar pessoas anônimas representadas pela mídia.
O artista traz à capital mineira as séries Arquivamento, Pintura mural, Fotografias Intervenções, Cenas singulares, Monocromos, Autorretrato vermelho, Galeria de Gatunos e Páginas vermelhas. Todas elas evidenciam como a vasta população paraense, amplamente negra e mestiça, muitas vezes, é relegada às páginas policiais.
MãePreta, de Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa - (RJ)
Galeria Arlinda Corrêa Lima
Buscando desvelar a importância da mulher negra para a formação social brasileira, as pesquisadoras e artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêaorganizaram a exposição MãePreta, que ressignifica arquivos do período da escravidão para contar uma outra versão da história, na qual as negras escravizadas são protagonistas. ”É uma proposta de revisitar os arquivos da escravidão, muito conhecidos e vistos, mas que dependendo da forma como são apresentados, podem sugerir interpretações superficiais sobre as complexas relações das mães negras escravizadas em relação ao filhos brancos de seus senhores e a luta pela manutenção da vida de seus próprios filhos”, explica Patricia Gouvêa.
PanAméricadsueño, de Ricardo Burgarelli - (MG)
Galeria Mari’Stella Tristão
O artista visual Ricardo Burgarelli, reconhecido por desenvolver projetos circunscritos nos campos da história, da memória e da técnica, criou a instalação PanAméricadsueño, composta por 23 desenhos, 10 serigrafias e centenas de xerografias. Com criações realizadas a partir de suas experiências e inquietações em relação aos acontecimentos que o cercam, desde situações cotidianas até a conjuntura sociopolítica atual, a exposição é uma produção contemporânea, com trabalhos inéditos produzidos a partir de julho de 2016.