
A Fundação Clóvis Salgado dá sequência a seu programa de Itinerância e promove o encontro do público com a dança contemporânea e a sua linguagem artística. Dessa vez, a Cia. de Dança Palácio das Artes apresenta, em Congonhas, o espetáculo Nuvens de Barro, montagem livremente inspirada na obra do poeta Manuel de Barros, que estreou em novembro de 2016 no Teatro João Ceschiatti. Nesse trabalho, a Cia. mergulha no universo lírico e brejeiro do Poeta do Pantanal para descobrir, inventar e reinventar a delicadeza, a simplicidade e o realismo fantástico, sempre presentes nos versos de um dos maiores representantes do período pós-moderno da literatura brasileira.
Essa é a primeira participação da Cia de Dança no projeto Itinerância FCS que pretende reforçar a promoção e o acesso à cultura em todo o Estado de Minas Gerais. De acordo com o regente da CDPA, Cristiano Reis, esses encontros permitem à Cia. levar seu trabalho para outros municípios e se conectar com novos públicos. “Quando viajamos, temos a chance de mostrar nosso repertório para novas pessoas e também conhecemos novos palcos. E isso é extremamente importante para o grupo, pois os bailarinos se conectam com diferentes plateias”, destaca Cristiano. Em setembro, o corpo artístico apresenta também em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, o espetáculo Nuvens de Barro.
Com direção coreográfica de Fernando Martins e direção cênica de Joaquim Elias e Fernando Martins, Nuvens de Barro é uma coreografia criada de maneira colaborativa entre os bailarinos da Cia de Dança, em mais um processo que envolveu um período de pesquisas. Durante dois meses o coletivo se debruçou sobre a obra de Barros até encontrar um ponto que unisse a dança e a poesia. O elenco da montagem é composto por nove bailarinos.
Inspirados pelas metáforas de Manoel de Barros em que coisas se humanizam e pessoas se coisificam, os bailarinos passaram a identificar e criar movimentos que refletissem o imaginário poético da obra. Desse processo, surge uma coreografia inventiva e inventada, em que os bailarinos permitem ser permeados por um universo lírico e ocupam outros corpos, criando algo híbrido, mutável. Ora transformam-se em peixes dançarinos, ora em pedras que se tornam pássaros; que se tornam homens. Elementos cênicos como maçãs e plantas ganham vida e se transformam em novos objetos – ou corpos –, que também interagem com os bailarinos.
O nome da coreografia também é uma alusão às metáforas de Manoel de Barros. A ideia é unir dois elementos que já possuem um significado explícito e criar um terceiro, quase irreal ou inimaginável. A nuvem transmite a leveza, o lado delicado do trabalho. Já o barro é a parte mais pesada, mais palpável. “Quando estávamos pensando no nome da coreografia, esses dois elementos surgiram de uma forma muito nítida para nós. Então, decidimos uni-los, criando as ‘nuvens de barro’, um diálogo interessante com o realismo fantástico do Manoel”, explica Cristiano Reis.
Caminhos diferentes para a criação – Os convidados para conduzir a montagem de Nuvens de Barros compartilham de diferentes experiências no universo literário de Manoel de Barros. A escolha dos diretores, Joaquim Elias e Fernando Martins, surgiu por uma necessidade de trabalhar a nova coreografia a partir de um olhar mais amplo, unindo elementos da narrativa teatral e da dança. Joaquim Elias iniciou as atividades com a preparação corporal e cênica do grupo. Já Fernando Martins aplicou no grupo uma técnica denominada Brain Diving, que consiste em conectar corpo e mente e transformar essa conexão em movimento. O grupo passou, então, a pensar como dar fisicalidade e realismo aos elementos identificados anteriormente nas oficinas com Joaquim.
Figurino, cenografia, iluminação e trilha sonora – Outros componentes cênicos também refletem a interação entre corpos e objetos. O figurino, por exemplo, criado pelo diretor de arte Rai Bento e a assistente Renata Alice, traz fortes referências à simplicidade da vestimenta dos povos camponeses ao mesmo tempo em que reproduz a silhueta de peças mais urbanas, mas sem deixar claro o que define cada estilo. Tecidos delicados e transparências reproduzem a ideia de movimento e leveza. As cores das peças também evocam o ambiente natural de Manoel de Barros, com predominância de tons terra, ocre e com leves toques de verde musgo.
Já o cenário do espetáculo é construído a partir de um olhar mais voltado para texturas lembrando cascas de árvores e pedras. Enquanto a iluminação cênica remete tanto aos raios de sol quanto às sombras.
A trilha sonora mescla composições instrumentais, de autoria do músico Rodrigo Salvador, a trabalhos de outros artistas da música nacional, como Tom Zé, que foram selecionadas por Fernando Martins. A proposta de Rodrigo é criar um ambiente sonoro que combine o peso dos instrumentos de percussão, como o tambor, com a leveza da viola caipira, da kalimba e da rabeca, para dar a sensação de que algo pesado e, ao mesmo tempo, sutil, recai sobre os bailarinos no desenrolar da coreografia.
SERVIÇO
Nuvens de Barro – Cia de Dança Palácio das Artes – Itinerância Congonhas
Data: 10 de maio (quarta-feira)
Local: Museu de Congonhas
Horário: 20h
Endereço: Alameda Cidade Matozinhos de Portugal, S/N
Entrada gratuita, com lotação máxima de 700 pessoas
Classificação livre
Informações para a imprensa:
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