
A Filarmônica de Minas Gerais recebe, nos dias 11 e 12 de maio, às 20h30, na Sala Minas Gerais, o maestro Carlos Prazeres, que, pela primeira vez, apresenta em Belo Horizonte a Sinfonia nº 5 em Ré maior, de Vaughan Williams, assim como a riqueza de Ritual, do compositor baiano Lindembergue Cardoso. Solista convidado, o pianista Alexandre Dossin interpreta o Concerto para piano em Ré bemol maior, op. 38, de Khatchaturian. Ingressos entre R$ 20 (meia) e R$ 105 (inteira).
Antes das apresentações, das 19h30 às 20h, o público poderá participar dos Concertos Comentados, palestras que abordam aspectos do repertório. O palestrante das duas noites é o maestro Carlos Prazeres, que irá falar sobre o armênio Aram Khatchaturian, um dos pilares da escola soviética de composição. O regente comentará, ainda, a trajetória do sobrinho-neto de Charles Darwin, Ralph Vaughan Williams, músico que se dedicou à renovação da música inglesa do século XX.
Estes concertos são apresentados pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais e contam com o patrocínio do Mercantil do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Já as palestras dos Concertos Comentados são apresentadas pelo Ministério da Cultura e Governo de Minas Gerais.
O repertório
Lindembergue Cardoso (Brasil, Livramento de Nossa Senhora, 1939 – Salvador, 1989) e a obra Ritual, op. 103 (1987)
Natural de Livramento de Nossa Senhora, na Chapada Diamantina, Lindembergue Cardoso formou-se junto aos Seminários Livres de Música na Universidade Federal da Bahia (UFBA), criados, nos anos 1950, por H. J. Koellreutter e outros professores. Naquele novo eixo de modernidade e avanço cultural, o compositor – que cedo descobriria a música erudita, o dodecafonismo, o serialismo, as práticas renascentistas e a orquestra sinfônica – passa a integrar o Grupo de Compositores da Bahia. Sua vasta obra experimental, marcada pelo uso de recursos visuais e cênicos, conta com missas, cantatas, música de câmara e orquestral, arranjos para coro e uma ópera, Lídia de Oxum. Lindembergue Cardoso participou como professor de várias edições dos festivais de inverno de Ouro Preto e Diamantina, criando uma importante parceria com o grupo de teatro de bonecos Giramundo; é de sua autoria a trilha do espetáculo Cobra Norato. A obra sinfônica Ritual, composta e estreada em 1987, na Segunda Semana de Música Contemporânea, em Salvador, contém a riqueza instrumental de atabaques e agogôs. A peça se baseia no clima ritualístico do candomblé.
Aram Khatchaturian (Geórgia, 1903 – Rússia, 1978) e a obra Concerto para piano em Ré bemol maior, op. 38 (1936)
Como todo artista que viveu a era stalinista, Aram Khatchaturian fora obrigado a fazer “arte a serviço do povo soviético”, de modo a rejeitar influências da música contemporânea ocidental. Em sua obra, essa restrição levou-o a transformar canções folclóricas armênias – por ele recolhidas – em temas. O exotismo de tal influência aparece já no tema de abertura do Concerto para piano, primeira obra concertante do compositor e também seu primeiro sucesso mundial, que inaugura o conjunto de três concertos dedicados aos membros do legendário Trio Oistrakh: o violinista David Oistrakh, o celista Sviatoslav Knushevitsky e o pianista Lev Oborin – este último estrearia a obra em julho de 1937, em concerto a céu aberto, acompanhado pela Filarmônica de Moscou, sob direção de Lev Steinberg. A peça é considerada mais étnica do que nacionalista, por conter uso extensivo do folclore armênio. Desse modo, o compositor insere a escola de composição de seu país no cenário internacional.
Ralph Vaughan Williams (Inglaterra, 1872 – 1958) e a obra Sinfonia nº 5 em Ré maior (1938/1943, revisão 1951)
Em pleno século XX, Ralph Vaughan Williams escreveu música tradicional, à sua maneira. Como o início do século foi dominado pelo pensamento modernista, seu reconhecimento internacional foi lento; mas, na década de 1950, já era tido nos meios eruditos da Europa como o maior compositor vivo do seu país e líder da escola nacional inglesa. Interessava-se pelo folclore britânico e recolheu um grande número de temas que utilizou em suas obras. Vaughan Williams compôs nove sinfonias, além de óperas, balés, concertos, música de câmara e inúmeras canções e peças sacras. A Sinfonia no 5 foi composta entre 1938 e 1943, e muito de seu material deriva de sua ópera, então inacabada, The Pilgrim’s Progress – que seria concluída em 1949, quarenta anos após os primeiros esboços. A estreia da Sinfonia, que conta com quatro movimentos, é realizada em 24 de junho de 1943, em um dos concertos da série BBC Proms, no Royal Albert Hall, em Londres, com a Orquestra Filarmônica de Londres, sob regência do próprio Williams.