
Com a apresentação musical de Sérgio Pererê em um auditório lotado, teve início nesta terça-feira (24) o Fórum Políticas Culturais em Debate, com a presença de especialistas do Brasil e de outros países. Pela primeira vez realizado fora da Europa, o evento é um espaço de debate e reflexão para a construção de políticas públicas e privadas voltadas à cultura. Realizado pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Cultura; o Sesc em Minas; o Institut Français, o Ministério da Cultura francês e a Embaixada da França no Brasil, o Fórum acontece nos espaços do Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Toda a programação está sendo transmitida ao vivo pelo site www.forumpoliticasculturais.mg.gov.br
O papel da cultura como bem social e de espaços para o fomento foi o centro da fala inicial na abertura do evento, realizada no auditório do Centro Cultural Banco do Brasil, conforme as palavras do embaixador da França no Brasil, Laurent Bili. “Durante os próximos dias vamos nos debruçar sobre os aspectos que podem ensejar o desenvolvimento de iniciativas coletivas para ampliar o espaço de representatividade da cultura na sociedade”, disse. A importância da construção de uma coletividade que visa o fortalecimento e aprimoramento de políticas culturais amplas e significativas. também foi abordado pelo embaixador.
Essa conexão entre França e Minas Gerais colhe frutos há tempos, conforme contextualizou o secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, que também ilustrou o papel fundamental que o intercâmbio cultural fomenta na sociedade. “As ideias francesas sempre frutificaram em Minas. Nos tempos de Tiradentes, os ideais da revolução francesa foram determinantes na concepção da ideologia que norteou a Inconfidência Mineira. Agora, queremos somar esforços para construir caminhos viáveis para as políticas de cultura no espaço contemporâneo, por sobre as crises e conflitos que pontuam as rotas”, disse o secretário.
Os participantes também ressaltaram o peso da cultura enquanto gerador de renda, conforme lembrou o Diretor Regional do Sesc em Minas, Luciano de Assis Fagundes. “A cultura é compreendida por nós como forma de expansão dos conhecimentos, de inclusão social e de exercício da cidadania. Acredito que ela deve ser integrada aos esforços de promoção do bem-estar e da qualidade”, avaliou Fagundes.
A abertura do evento foi marcada pela assinatura de um termo de compromisso para o desenvolvimento da plataforma internacional de políticas culturais, a partir de debates envolvendo a sociedade civil, entidades privadas e poder público. Assinaram o documento o Secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo; o embaixador da França no Brasil, Laurent Bili; o diretor do Observatório de Políticas Culturais de Grenoble (França), Jean-Pierre Saez; e o Diretor Regional do Sesc em Minas, Luciano de Assis Fagundes.
Após a assinatura, o público conferiu as palavras do diretor do Observatório de Políticas Culturais de Grenoble, Jean-Pierre Saez, que detalhou a experiência francesa, já reconhecida internacionalmente, e ressaltou a dimensão da plataforma. “A construção de uma plataforma pressupõe um diálogo amplo com o poder público, instituições privadas, universidades e sociedade civil. Ela precisa responder às necessidades da população e as exigências de uma política continuada de cultura”, ponderou Saez. Esse aspecto colaborativo também foi destacado pela diretora Técnico Social do Sesc em Minas, Francine Pena. “A expectativa é que a partir do Fórum possamos obter insumos para a construção de uma plataforma internacional de cooperação cultural que atuem em diversos âmbitos, como a formação, a pesquisa e o fomento a projetos inovadores”.
Os gestores culturais, fazedores da cultura e representantes de diversas entidades que estavam presentes foram convocados a participar efetivamente desse momento histórico para a cultura de Minas Gerais e do Brasil, conforme mencionou Lucas Guimaraens, um dos organizadores do evento e superintendente de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário da Secretaria de Cultura. “É um momento para falarmos com os produtores de cultura na acepção ampla da palavra. É um local de diálogo horizontal que deve propiciar reflexões profundas para as políticas culturais”, avaliou.
O Fórum Políticas Culturais continua até sábado (27), nos equipamentos culturais do Circuito Liberdade. Durante o período, especialistas renomados do Brasil e da França estarão envolvidos em inúmeras mesas-redondas e grupos de trabalho – chamados de ágoras – para ampliar as discussões e proposições acerca dos caminhos para a consolidação de iniciativas efetivas no âmbito da cultura.