
Foram três dias de muitos debates e proposições sobre os caminhos para consolidação de políticas públicas e privadas para o setor cultural. O Fórum de Políticas Culturais em Debate reuniu o poder público e a sociedade civil em atividades que propiciaram refletir acerca dos métodos de organização e fomento sobre os mais diversos assuntos relacionados à cultura. E no último dia (26/05) de realização das Ágoras, o evento colocou em pauta as discussões sobre “Turismo, cultura e desenvolvimento”, na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, e “Economia cultural criativa”, no BDMG.
Com mediação de César Piva, Gestor Cultural da Fábrica do Futuro e Diretor Executivo da Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais, o BDMG recebeu a diretora da Fundação Cultural Europeia, Katharine Watson, o economista e professor na universidade de Angers (França), Dominique Sagot-Duvauroux, e o ensaísta e ex-Presidente da Funarte, Francisco Bosco, para repensar a relação entre economia, cultura e criatividade.
Sob o tema “Economia cultural criativa”, o encontro buscou contrapor uma visão da cultura como direito garantido pelo estado ao discurso que aponta os limites de uma política cultural excessivamente institucionalizada, podendo criar riscos para o fazer artístico e engendrando diversas formas de cultura presente no organismo social. Além disso, problematizou a conjuntura atual da economia criativa, compreendidas dentro do potencial cultural do local onde estão inseridas.
Durante a Ágora, César Piva apresentou um vídeo composto por diversos filmes produzidos no Polo Audiovisual da Zona da Mata, como “Redemoinho”, de José Luiz Villamarim, e “A família Diont”, de Alan Minas, para exemplificar a importância da realização de políticas culturais para microterritórios. Nos último anos foram investidos aproximadamente R$ 30 milhões na região, o que gerou cerca de 800 postos diretos e indiretos de emprego e mais de R$ 62 milhões de impacto positivo na economia no entorno do polo. “Nossa experiência começou há 17 anos e o desafio era olhar para as pequenas e médias cidades para testar na prática a descentralização das políticas culturais. Tudo isso com uma conexão com as metrópoles. Nós trabalhamos com uma ideia de intercâmbio, conectando o local com o global. Os impactos locais têm sido muito positivos”, ressaltou César Piva.
A fala de Dominique Sagot-Duvauroux sustentou alguns pilares para o sucesso de um projeto na área cultural. “O que constatamos nos projetos que são bem sucedidos é uma mistura de três elementos: os indivíduos, que são os responsáveis pela cultura e o fazer artístico; o processo que vai ser implantado para que os cidadãos possam aderir ao projeto; e as políticas públicas, que precisam ser efetivas, propondo projetos e dando subsídios para os artistas”, pontou Dominique Sagot-Duvauroux.
Já na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, o assunto foi “Turismo, cultura e desenvolvimento”. Debateram sobre o papel do turismo cultural na criação de políticas para a cultura a Presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), Michele Arroyo, que atuou como mediadora do encontro, a economista e membro da Agência Reguladora das Comunicações Eletrônicas e dos Correios na França, Françoise Benhamou, a também economista e professora da Fundação Getúlio Vargas, Ana Carla Fonseca e a professora do mestrado de Planejamento e Políticas Públicas da Universidade do Estado do Ceará, Cláudia Leitão. Entre outros tópicos, a Ágora abordou o desenvolvimento econômico e cultural de um território para o aumento dos negócios em turismo cultural, a importância da sensibilização e formação de pessoas para o incremento desse mercado e a participação da sociedade civil nos processos de preservação e de valorização do patrimônio.
Cerimônia de encerramento
Amanhã (27/05) acontece o encerramento do Fórum Políticas Culturais em Debate. Na oportunidade serão apresentadas as propostas e diretrizes para construção de uma Plataforma Internacional Colaborativa para políticas culturais públicas e privadas. O evento contará com a presença do Secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, do Superintendente de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário e Embaixador da Unesco na América Latina, Lucas Guimaraens, do Adido Cultural pela França no Brasil, Jean Pascal Quilès e da Encarregada das Relações com as Américas do Escritório de Relações Internacionais e Multilaterais do Ministério da Cultura da França, Perrine Warmé-Janville.
O Fórum contou com a participação do poder público e da sociedade civil e colocou em pauta discussões e reflexões acerca da cultura com o intuito de contribuir com a formulação de políticas culturais abrangentes e efetivas.
Realizado pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Cultura; o Sesc em Minas; o Institut Français e a Embaixada da França no Brasil, o Fórum aconteceu nos espaços do Circuito Liberdade, em Belo Horizonte, e foi pela primeira vez realizado fora da Europa.