
As relações entre Brasil e Portugal continuam rendendo rico material para pesquisas, e o Arquivo Público Mineiro (APM) debruça-se sobre o tema nesta quarta (18). O equipamento cultural integrante do Circuito Liberdade recebe o professor português Eduardo Alberto de Oliveira, doutor em História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Portugal. Na ocasião ele ministra a palestra “Minho e Minas Gerais no século XVIII”, dentro do Ciclo de Palestra Arquivos em Detalhes. As relações culturais, artísticas e históricas entre Minas e a província portuguesa de Minho durante o período colonial são o tema do encontro. As vagas são limitadas e a entrada é gratuita. O APM fica na avenida João Pinheiro, 372, Lourdes, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Movida pela abundância de ouro em terras mineiras e pela perspectiva de melhoria das condições de vida, a população da província de Minho, região pobre do norte de Portugal, começou a imigrar no início do século XVIII para Minas Gerais. A vinda dos portugueses promoveu um amplo intercâmbio cultural entre as regiões, com ramificações na arquitetura, gastronomia e nas artes. Esse diálogo cultural serviu de base para inúmeras pesquisas que abordam as relações e as marcas deixadas pela convivência entre os dois povos. Um dos pesquisadores que trabalham com o tema é o português Eduardo Alberto de Oliveira, doutor em História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em Portugal.
O professor publicou vários livros e artigos sobre o Patrimônio Cultural Minhoto e sobre a Diáspora da Arte Minhota Barroca e Rococó pelo mundo. Sua relação com Minas Gerais inicia-se em 1989. “Vim para Minas para trabalhar as questões culturais que unem estes lugares tão distantes e tão próximos”, pontua. Segundo o pesquisador, a perspectiva de enriquecer com o ouro levou os portugueses que habitavam uma das regiões mais pobres do país a uma longa jornada para sair da pobreza. “Na primeira metade do século XVIII a imigração de Minho para Minas Gerais era de 50 a 70% de pessoas. A região se desenvolveu muito com o dinheiro que os portugueses enviavam daqui para lá. Mas isso apenas o primeiro aspecto da imigração”, conta Eduardo.
O laço que realmente uniu as duas localidades se deu com a arquitetura e a arte Barroca e Rococó. O arquiteto Antônio Pereira de Souza Calheiros construiu a igreja de São Pedro dos Clérigos, em Mariana, no território Metropolitano. Outro profissional que deixou sua marca em Minas foi o mestre de obras Francisco de Lima Cerqueira, que ergueu a igreja de São Francisco de Assis, em São Joao Del Rei, cidade do território Vertentes. De acordo com Eduardo, não foi só o ouro que saiu de Minas para Portugal. Os habitantes de Minho levaram daqui as técnicas de entalhe refinado e aspectos da culinária local. “Os mineiros possuíam muito mais refinamento artístico para as técnicas de entalhe em madeira, como as peças poderosas produzidas por Aleijadinho. Com relação a gastronomia, costumo brincar que aquilo que mais nos marcou foi o fato dos mineiros não comerem muito peixe. Minho é uma região banhada por mar, mas lá não se come peixe”, brinca o pesquisador.
No sábado (22) o professor visita a cidade de Tiradentes, na região Vertentes, onde lança o livro “Minho e Minas Gerais no século XVIII”, no Instituto Históricoe Geográfico de Tiradentes, às 18h.
SERVIÇO
Ciclo de Palestra Arquivos em Detalhes: “Minho e Minas Gerais no século XVIII” - As relações artísticas entre Minas Gerais e província portuguesa do Minho no período colonial
Palestrante: Professor Eduardo Alberto Pires de Oliveira, de Braga – Portugal
Data: 19/07/2017
Horário: 15h
Local: Arquivo Público Mineiro (Av. João Pinheiro, 372 – Lourdes, Belo Horizonte/MG)
Contato: 3269.1167 / 3269.1157/ Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.