
A Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais iniciam a temporada erudita da FCS em 2018 com as consagradas séries Sinfônica e Lírico ao Meio-Dia e Sinfônica e Lírico em Concerto. Será interpretada a famosa Cantata Alexander Nevsky, obra prima de Sergei Prokofiev, o mais celebrado compositor da música soviética.
A composição é uma adaptação da trilha sonora do filme mudo Alexander Nevsky (1938), do diretor Seguei Eisenstein, que terá trechos exibidos na quarta-feira, 28. Com regência de Silvio Viegas, Coro e Orquestra vão se apresentar paralelamente à exibição do filme. Os concertos contam, ainda, com a participação da solista convidada, Aline Lobão (mezzosoprano).
De acordo Silvio Viegas, a cada nova temporada, a ideia é garantir uma experiência nova e diferente para o público, que já conhece a diversidade e a qualidade dos corpos artísticos da FCS. “Sempre procuramos abrir a temporada com um grande concerto que envolva coro e orquestra, diversificando as obras ao longo dos anos e mostrando como os corpos artísticos tem a capacidade de reproduzir sinfonias com uma excelente qualidade”, aponta Silvio Viegas.
O maestro revela que o público pode esperar um ano movimentado. “A expectativa é sempre a melhor possível, e é isso que nos move todos os anos. 2018 é um ano que se desenha com grandes dificuldades, mas, também, com grandes possibilidades para os artistas, e essa relação é bem ilustrada pela Cantata Alexander Nevsky, que narra a vitória de uma batalha”, pontua Viegas.
Na temporada 2018, continua sendo realizado o projeto De dentro do Palco, às terças feiras, com o sorteio de algumas pessoas da plateia para assistirem ao concerto no palco, ao lado dos artistas, quando são executados trechos das obras escolhidas. A versão integral dos concertos acontece sempre às quartas-feiras.
Trilha sonora épica – A Cantata Alexander Nevsky é uma composição de Serguei Prokofiev baseada em trilha sonora de sua autoria feita para um filme épico de Sergei Eisenstein. Ele foi leito por Stravinsky como o maior compositor russo de sua época.
A composição para o filme Alexandre Nevsky foi adaptada em vigorosa cantata, que tem sido apresentada e gravada frequentemente. O longa retrata a história do príncipe homônimo que, em 1242, liderou o exército russo contra a invasão dos Cavaleiros teutônicos. Historicamente, tal episódio ficou conhecido como a “Batalha do Lago Peipus” ou a "Batalha no Gelo”.
Filmado em 1938, época em que, na Alemanha, Adolf Hitler reorganizava seu exército visando invadir a Europa, o filme surge como uma espécie de propaganda anti-alemã, uma vez que retrata a expulsão de um exército alemão (Ordem Teutônica) da Rússia. A trilha sonora de Prokofiev foi regida por um maestro também russo, Valery Gergiev, que a considerou a melhor composição para cinema até então feita.
Silvio Viegas explica que os sete movimentos da cantata exploram bastante a virtuosidade de uma orquestra sinfônica com a proposta de fazer uma alusão ao clima da batalha, deste a sua expectativa, passando pela guerra em si, o lamento dos mortos e a celebração da vitória ao final. “É uma obra que, apesar de não ser tão conhecida pelo público em geral, é muito encantadora, forte e poderosa. Será uma apresentação muito especial”, finaliza.
Serguei Prokofiev (1891 – 1953) – Serguei Sergueievitch Prokofiev, um dos compositores mais celebrados do século XX, é conhecido por obras como o balé Romeu e Julieta, as óperas O Amor das Três Laranjas e Guerra e Paz, a composição infantil Pedro e o Lobo e duas trilhas sonoras para filmes de Sergei Eisenstein. Muito talentoso no piano e na composição, Prokofiev nasceu no Império Russo, viajou o mundo em turnês, e voltou à terra local, a então União Soviética, onde permaneceu até o momento de sua morte. Junto com Shostakovitch, foi uma das figuras mais importantes da música soviética.
Serguei Mikhailovitch Eisenstein (1898 – 1948) – Foi um dos mais importantes cineastas soviéticos. Relacionado ao movimento de arte de vanguarda russa, participou da Revolução de 1917 e da consolidação do cinema como meio de expressão artística. Notabilizou-se por seus filmes mudos A Greve, O Encouraçado Potemkin e Outubro, além dos épicos históricos Alexandre Nevski e Ivan, o Terrível. Sua obra influenciou fortemente os primeiros cineastas devido ao uso inovador de escritos sobre a montagem.
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais – A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais é uma das mais ativas orquestras do país, tendo sido declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais. Em constante aprimoramento, cumpre o papel de difusora da música erudita a partir da diversidade de atuação: óperas, concertos e apresentações na capital e interior do Estado. Além dos Concertos no Parque, Sinfônica ao Meio-dia e Sinfônica em Concerto, merece destaque o reconhecido programa Sinfônica Pop, que convida artistas da música popular brasileira para se apresentarem com a orquestra. Seu atual regente titular é o maestro Silvio Viegas, que foi antecedido por nomes como os de Wolfgang Groth, Sérgio Magnani, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Aylton Escobar, Emílio de César, David Machado, Afrânio Lacerda, Holger Kolodziej, Charles Roussin, Roberto Tibiriçá e Marcelo Ramos.
Silvio Viegas – Regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, é professor de Regência na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Diretor Artístico da Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes, em Belo Horizonte, de 2003 a 2005; maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro de 2008 a 2015 e diretor artístico interino do mesmo teatro de 2011 a 2012. Desde o início de sua carreira, tem se destacado pela atuação no meio operístico, regendo títulos como O Navio Fantasma, L’Italiana in Algeri, O Barbeiro de Sevilha, Don Pasquale, Così fan Tutte, Le Nozze di Figaro, A Flauta Mágica, Carmen, Cavalleria Rusticana, Romeu e Julieta, Lucia di Lammermoor, Il Trovatore, Nabucco, Otello, Falstaff, Salome, La Bohème e Tosca. Como convidado, esteve à frente da Orquestra da Arena de Verona, Sinfônica de Roma, Sinfônica de Burgas (Bulgária), Sinfônica do Festival de Szeged (Hungria), Orquestra do Algarve (Portugal), Sinfônica Brasileira (OSB), Teatro Argentino de La Plata (Argentina), Filarmônica de Montevidéu e Sinfônica do Sodre (Uruguai), Amazonas Filarmônica, Petrobras Sinfônica, Sinfônica do Paraná, Sinfônica do Theatro São Pedro-SP, Orquestra do Teatro da Paz, Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, entre outras. Em 2001, obteve o primeiro lugar no Concurso Nacional “Jovens Regentes”, organizado pela Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro. Natural de Belo Horizonte, Silvio Viegas estudou regência na Itália e é mestre em regência pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, tendo sido discípulo de Oiliam Lanna, Sérgio Magnani e Roberto Duarte.
Coral Lírico de Minas Gerais – Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais interpreta repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Além das temporadas de ópera da Fundação Clóvis Salgado, participa das Séries Lírico ao Meio-Dia, Lírico em Concerto e Lírico Sacro. Em sua trajetória, o Coral Lírico de Minas Gerais teve como regentes os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu Miranda Gomes, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Silvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes e Lincoln Andrade. Atualmente, sua regente titular é a maestrina Lara Tanaka.
Aline Lobão (mezzosoprano) – Premiada nos Concursos "Jovens Solistas", da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais nas edições 2012 e 2013, "Segunda Musical", em 2006 e 2014 e vencedora do Prêmio "Ópera - Il Barbieri di Siviglia no Concurso Maria Callas. Recebeu orientações de Carolina Faria, Eiko Senda, Lorena Espina, Raminta Lampsatis, Eliane Coelho, Sérgio Anders, Mauro Chantal e Marisa Simões. Seu repertório operístico inclui "Rosina" (Il Barbiere Di Siviglia, G.Rossini); Annio e Sextus (La Clemenza di Tito, W. A. Mozart); Iacy (Poranduba, E. Villani Côrtes); Nicklausse (Os contos de Hoffmann, Offenbach); Malcolm (La Donna del Lago, G. Rossini); Klara (Bodas no Monastério, S. Prokofiev); Nerone (L Incoronazione di Poppea, C. Monteverdi), Stephano (Romeu e Julieta, C. Gounod), entre outros. Foi aluna da Academia de Ópera do Theatro de São Pedro, onde recebeu orientações da Professora Luisa Giannini e do Maestro André dos Santos.
Serviço:
Sinfônica e Lírico ao Meio-Dia – Concerto de Abertura de Temporada
Data: 27 de fevereiro (terça-feira)
Horário: 12h
Entrada gratuita
Local: Grande Teatro do Palácio das Artes, Av. Afonso Pena, 1537, Centro
Sinfônica e Lírico em Concerto – Concerto de Abertura de Temporada
Período: 28 de fevereiro (quarta-feira)
Horário: 20h30
Ingressos: R$20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Local: Grande Teatro do Palácio das Artes, Av. Afonso Pena, 1537, Centro
Informações para o público: (31) 3236-7400