
Uma solenidade religiosa marcou a comemoração dos 240 anos do término da construção do santuário dedicado à protetora dos olhos - a virgem-mártir italiana Santa Luzia.O secretário de Estado de Cultura Angelo Oswaldo participou da abertura da trezena dedicada a Santa Luzia, na cidade de mesmo nome, na região metropolitana de Belo Horizonte. O evento aconteceu nessa quinta (29).
Construído no alto de uma colina nas primeiras décadas do século 18, o templo foi o primeiro dedicado a Santa Luzia em Minas Gerais e é um dos santuários mais tradicionais, sendo um dos pontos mais antigos de peregrinação de romeiros do país. Patrimônio cultural tombado pelo Iepha-MG desde 1976, o santuário é um rico expoente da arte barroca com altares que expressam o estilo D. João V.
De acordo com o pesquisador Edelweiss Teixeira (1909-1986), desde 1729 já funcionava ali a capela de Santa Luzia, mas somente em 1748 foi dada a autorização do bispado de Mariana para a criação da Irmandade de Santa Luzia. A benção da então igreja matriz, localizada na rua mais importante do arraial – a Rua Direita – aconteceu no dia 13 de dezembro de 1778, e acelerou o processo de instalação da sede paroquial, que era disputada com a igreja de Santo Antônio da Roça Grande, em Sabará. “A minha palavra é para expressar o reconhecimento da cultura de todas as mineiras e de todos os mineiros diante da importância histórica da cidade de Santa Luzia e deste marco de cultura e fé que é o seu santuário”, disse Angelo Oswaldo, que relembrou a trajetória de ocupação do território, banhado pelo Rio das Velhas, desde a pré-história.
O Santuário de Santa Luzia foi o oitavo bem cultural protegido pelo Iepha-MG, após a aprovação do decreto de tombamento em 9 de março de 1976, determinando a sua inscrição no livro de Tombo de Belas Artes. Segundo o Guia dos Bens Tombados Iepha-MG, as características estilísticas dos altares (são sete ao todo) foram elaboradas em duas etapas sequenciais: a primeira, entre os anos de 1745 e 1765, compreendendo a capela-mor e os altares laterais próximos ao arco-cruzeiro, que apresentam o estilo D. João V – também conhecido por estilo Brito por ter sido introduzido em Minas por Francisco Xavier de Brito. A segunda fase, incluindo as pinturas dos forros, foi realizada entre os anos de 1780 e 1820.
A celebração, que representa o início da trezena – são treze dias de orações até o dia da padroeira, comemorado em 13 de dezembro – teve a participação do vigário episcopal para as cidades históricas, padre Wellington Santos, do pároco de Santa Luzia, Felipe Lemos de Queirós, do secretário municipal de Cultura, Ulisses Brasileiro, das monjas concepcionistas do Mosteiro de Macaúbas, localizado na cidade, e de representantes da Associação Cultural Comunitária de Santa Luzia, que restaurou integralmente o templo há 26 anos. Ao final, o secretário entregou ao pároco Felipe Lemos a publicação Carta Pastoral do Episcopado Mineiro sobre o Patrimônio Artístico, reeditada pela Secretaria de Estado de Cultura em 2016.