
No dia 26 de junho, quarta-feira às 20h30, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e o Coral Lírico de Minas Gerais se unem no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes, para uma noite dedicada a uma das maiores obras-primas da história da música, o Réquiem de Mozart, em mais uma edição da série Sinfônica e Lírico em Concerto.
Sob regência do maestro Silvio Viegas, uma das obras primas da história da música, Réquiem do compositor alemão Wolfgang Amadeus Mozart, será executada em mais uma edição das séries Sinfônica e Lírico ao Meio-dia e Sinfônica e Lírico em Concerto. A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais vai executar, também, a obra Três Quadros de Victor Meirelles, do fagotista integrante da Orquestra, Cláudio de Freitas. Os concertos contam com a participação dos solistas convidados Deborah Burgarelli, Aline Lobão, Lucas Damasceno e Mauro Chantal.
Cercado de histórias fantásticas, a missa para os mortos, de Mozart, teria surgido a partir do pedido de um homem misterioso, o que levou o compositor a acreditar que este era um mensageiro do Destino e que o réquiem que iria compor seria para seu próprio funeral. Segundo o maestro Silvio Viegas, Mozart estava debilitado fisicamente e muito ocupado profissionalmente, tornando difícil dizer o quanto a encomenda o teria afetado mentalmente. “O que sabemos é que no Réquiem encontramos as linhas musicais de maior profundidade desse genial compositor. A obra é carregada de sentimento, de fé, de uma entrega raramente vista, antes ou depois da criação dessa missa”, observa o maestro.
Antes de morrer, Mozart conseguiu terminar apenas três seções com o coro e composição completa, deixando os instrumentais, coro, vozes dos solistas, o cifrado do contrabaixo e órgão incompletos, com anotações para seu discípulo Süssmayer. “Inúmeros músicos, musicólogos e historiadores recusaram, alteraram ou modificaram o trabalho feito por Süssmayer. No entanto, independente do que foi feito, o que é certo é que esta ainda é, e continuará sendo, uma das mais amadas e respeitadas obras musicais de todos os tempos”, comenta Viegas.
Trechos das composições serão executados na terça-feira, 25 de junho, ao meio-dia, com entrada gratuita. Na ocasião, algumas pessoas da plateia serão sorteadas para assistir ao concerto do palco. Trata-se do projeto De Dentro do Palco, uma sugestão do regente titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Silvio Viegas, que visa aproximar o público da Orquestra e, assim, ampliar a difusão da música erudita.
Diálogo em contraste – Além da obra de Mozart, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais vai executar a peça Três Quadros de Victor Meirelles, do fagotista da OSMG Cláudio de Freitas. Esta será a estreia mineira da composição e a primeira vez em que a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais vai interpretar uma obra do fagotista e compositor, que já atuou, também, na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Para Cláudio, incorporar obras de compositores vivos e jovens ao programa de Orquestras é um movimento necessário das instituições. “São composições mais próximas de nossa realidade e, além disso, encaro como uma celebração da pluralidade artística. O contraste entre minha peça e a de Mozart é muito interessante”, celebra o fagotista, ressaltando que, apesar das diferenças, ambas as peças tratam da morte.
Inspirando-se em obras do pintor Victor Meirelles que abordam narrativas históricas brasileiras, Cláudio compôs a peça em 2014 e busca, por meio de três movimentos, representar musicalmente sua impressão do trabalho visual do classicista. O primeiro movimento vem da obra Passagem de Humaitá (1872), o segundo, da obra Moema (1866) e o terceiro do quadro Batalha dos Guararapes (1875-1879). “No primeiro movimento, a música traz várias imagens como o rio, o forte e o encouraçado. Há a representação, por exemplo, da batalha em si pelos metais e percussão e do convés do encouraçado à noite, em que se instala um imenso silêncio com atmosfera fantasmagórica”, explica Cláudio.
Já no segundo movimento, a composição evoca a morte da índia Moema depois de sofrer de amor por um português que deixa o Brasil de navio. “A melodia dos trompetes e trombones representa o navio, enquanto as cordas em movimentos ascendentes e descendentes evocam as ondas marítimas”, conta o fagotista. “Até mesmo uma folha de palmeira está sendo usada como instrumento para trazer os sons da floresta e do vento, culminando numa triste melodia”. Por fim, o terceiro movimento se inspira no quadro que representa uma cena de guerra do confronto que culminou na expulsão dos invasores holandeses das terras brasileiras. “Por meio dos metais, busquei representar as espadas, e a vitória brasileira está num grandioso acorde final”, conta.
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais – Criada em 1976, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, corpo artístico gerido pela Fundação Clóvis Salgado, é considerada uma das mais ativas Orquestras do país. Em 2013, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de Minas Gerais. Em permanente aprimoramento da sua performance, a OSMG cumpre o papel de difusora da música erudita, diversificando sua atuação em óperas, balés, concertos e apresentações ao ar livre, na capital e no interior de Minas Gerais. Como iniciativas de destaque, podem ser citadas as séries Concertos no Parque, Sinfônica ao Meio-dia e Sinfônica em Concerto, além da Sinfônica Pop que apresenta grandes sucessos da música popular brasileira com arranjos orquestrais. Em 2016, Silvio Viegas assumiu o cargo de regente titular da OSMG. Antes dele, foram responsáveis pela regência: Wolfgang Groth, Sérgio Magnani, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Aylton Escobar, Emílio de César, David Machado, Afrânio Lacerda, Holger Kolodziej, Charles Roussin, Roberto Tibiriçá e Marcelo Ramos.
Coral Lírico de Minas Gerais – Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais, corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado, é um dos raros grupos corais que possui uma programação artística permanente e que interpreta um repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Já estiveram à frente do Coral os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Silvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes e Lincoln Andrade. O Grupo se apresenta em cidades do interior de Minas e em capitais brasileiras com o intuito de contribuir para a democratização do acesso ao canto coral. As apresentações têm entrada gratuita ou preços populares. O Coral já atuou com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, além da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Dentro da política de difusão do canto lírico promovida pelo Governo de Minas Gerais, o Coral Lírico desenvolve diversos projetos que incluem as séries Concertos no Parque, Lírico Sacro, Lírico ao Meio-dia, Lírico em Concerto e Sarau no Café, além da participação nas temporadas de óperas realizadas pela Fundação Clóvis Salgado.
PROGRAMA
WOLFGANG AMADEUS MOZART: Réquiem, K. 626
CLÁUDIO DE FREITAS: Três Quadros de Victor Meirelles
SERVIÇO
SINFÔNICA E LÍRICO EM CONCERTO | RÉQUIEM DE MOZART
Local: Grande Teatro | Palácio das Artes | Av. Afonso Pena, 1537. Centro. Belo Horizonte
Horário: 20h30
Duração: 1h
Classificação: 8 ANOS
Informações para o público: (31) 3236-7400