
Pedro Almodóvar, um dos mais expressivos cineastas da Espanha e do mundo é o protagonista na nova mostra do Cine Humberto Mauro. Reunindo 19 obras do diretor, a Mostra Almodóvar se dedica aos melodramas e comédias, com temas como homossexualidade, transexualidade, prostituição, sexo, terrorismo e corrupção. Reconhecido pelas sua estética e tramas exageradas, com cenários coloridos e narrativas trágicas, Almodóvar foi premiado em diversos festivais mundiais, como Oscar, BAFTA, Globo de Ouro e Festival de Cannes e revelou uma série de atores que viriam a se tornar grandes talentos hollywoodianos.
Integrando o período de férias escolares, a mostra busca resgatar a trajetória de Almodóvar após o lançamento de Dor e Glória (2019), longa que estreou nos cinemas brasileiros na última semana. De fora da programação do Cine, só ficaram os sete curtas-metragens do começo da carreira do cineasta, Os Amantes Passageiros (2013) e o filme deste ano.
A filmografia de Almodóvar perpassa movimentos de contracultura em resposta à ditadura espanhola de Francisco Franco, que durou trinta e cinco anos. Ao contar histórias que não eram permitidas durante esse período, Almodóvar traz à tona culturas alternativas e subterrâneas em cenas absurdas capazes de levar o espectador do riso às lágrimas em pouquíssimo tempo. “São histórias que muitas vezes são divertidas e engraçadas, mas que contém tragédias e questões reais que as pessoas queriam ver. Esses filmes ajudaram a definir o que é a Espanha moderna, mostrando a realidade do que estava acontecendo no mundo de maneira autoral”, explica Vítor Miranda, que assina a curadoria da mostra juntamente de Bruno Hilário, gerente do Cine.
Ainda que retrate o universo das mulheres, LGBT’s, e prostitutas, Almodóvar não busca levar um discurso politizado a seus filmes, mas sim retratar pessoas na sua complexidade humana, o que lhe rendeu críticas e elogios. Com mistura de gêneros cinematográficos e atuações e narrativas novelescas, a obra do cineasta espanhol explora, também, o elemento kitsch, termo em inglês que se refere à arte da imitação de comportamentos e gostos burgueses, acabando por resultar numa estética considerada feia, ultrapassada ou exagerada. “Almodóvar leva o kitsch à frente dos seus filmes, tanto no aspecto visual quanto nas suas decisões narrativas”, observa o pesquisador.
Muitos percursos são possíveis diante da filmografia de Almodóvar, seja pela temática, gênero cinematográfico ou amadurecimento criativo do espanhol. No entanto, é possível dividir sua obra em três fases cronológicas que definem seus primeiros anos de produção, seu reconhecimento fora da Espanha, que lhe deu a alcunha de maior cineasta europeu de renome mundial, e sua maturidade artística, estreando obras-primas em sequência. Na sua primeira fase, em que produziu longas de circulação espanhola, destaca-se o terror Matador (1986), em que um toureiro aposentado sente a necessidade de matar mulheres com quem faz sexo, uma narrativa de serial killer que referencia visualmente e tematicamente os filmes italianos giallo.
Na sua segunda fase, Almodóvar atinge sucesso internacional com o filme Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos (1988), em que reúne as atrizes com quem sempre trabalhou, como Carmen Maura, Rossy de Palma, María Barranco e Julieta Serrano numa comédia dramática cheia de intrigas. Outro destaque é Carne Trêmula (1997). Na trama, uma prostituta tem o filho num ônibus em Madri, quando tentava chegar à maternidade. Após vinte anos, ele está começando sua vida adulta e tenta se encontrar com uma desconhecida com quem, uma semana antes, teve um fugaz encontro.
Depois de intensa produção, Almodóvar chega a sua maturidade artística produzindo uma série filmes de imenso sucesso. Em Má Educação (2003), Almodóvar flerta com a narrativa autobiográfica e abraça a metalinguagem ao retratar um cineasta que, depois de reencontrar seu primeiro amor e amigo íntimo de infância, recebe dele uma proposta de roteiro que se assemelha às vivências da dupla num colégio católico. No longa, Almodóvar trata com maestria dos problemas da Igreja Católica espanhola num contexto pós-ditatorial.
História Permanente do Cinema – Durante a Mostra Almodóvar, a mostra História Permanente do Cinema, que exibe clássicos cinematográficos, vai trazer quatro longas à tela do Cine Humberto Mauro. Uma Rua Chamada Pecado (1951) foi o primeiro filme a retratar um homem de maneira sensual, como objeto de desejo de uma mulher. Já Tudo Que O Céu Permite (1955), é dirigido por um dos grandes mestres de Almodóvar, Douglas Sirk, em seu uso de uma intensa paleta de cores e o gosto pelo melodrama. A obra Sonata de Outono (1978) de Ingmar Bergman, é um forte longa retratando a relação conturbada entre uma pianista e suas duas filhas. Por fim, a comédia gangster Mickey e Nicky (1976) dirigida por Elaine May será exibida, tratando de amizade entre dois homens em rota de fuga.
SERVIÇO
CINE HUMBERTO MAURO – MOSTRA ALMODÓVAR
Local: Cine Humberto Mauro
Endereço: Av. Afonso Pena 1.537, Belo Horizonte
Período: 27 de junho a 18 de julho
Ingressos gratuitos com retirada 1h antes de cada sessão
Informações para o público: (31) 3236-7400
Informações para a imprensa:
Júnia Alvarenga: (31) 3236-7419 | (31) 99179-1215 | Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Vítor Cruz: (31) 3236-7378 l (31) 99317-8845 l Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.