
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH), que integra o Circuito Liberdade, inaugurou, na última quarta-feira (13/11) a exposição “Caravana Modernista”, que permite uma viagem no tempo para revisitar os aspectos turístico-culturais ligados à produção do período modernista no Brasil. A mostra foi inspirada em uma expedição realizada por Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, de Belo Horizonte a Cataguases, que rendeu um rico acervo sobre o pioneirismo da produção modernista brasileira. A exposição segue até o dia 16 de dezembro e a entrada é gratuita.
“Caravanas Modernistas” é realizada pelo CCBB-BH em parceria com a MultiCult, que promove a CASACOR Minas – em que, na edição de 2019, no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, a exposição foi exibida pela primeira vez. De acordo com o idealizador da mostra e também responsável pelo acervo, conteúdo e direção, Rafa Alves, a ideia nasceu depois de traçar uma linha do tempo a partir do momento em que ele soube que a CASACOR Minas seria realizada no Palácio das Mangabeiras.
“Decidi pesquisar outro cenário que nos remetesse à origem do modernismo”, revela Rafa Alves. Durante a pesquisa, ele encontrou uma antiga casa, mais precisamente do ano de 1941, em Cataguases, onde todo o projeto arquitetônico era assinado por Niemeyer e o paisagístico por Burle Marx.
“Essa residência era de um antigo industrial e fazendeiro da região chamado Francisco Inácio Peixoto. Ele contratou o famoso arquiteto para construir a residência, já em um conceito pré-modernista, além do renomado paisagista para fazer o jardim do ambiente. Ou seja, Niemeyer e Burle Marx já existiam como dupla desde o início da década de 1940”, revela.
Ainda de acordo com ele, um fato interessante a ser observado é que a casa no município mineiro antecede ao Palácio das Mangabeiras, que começou a ser construído em 1955. Ao perceber essa diferença de 14 anos, Rafa Alves decidiu construir uma ligação entre as cidades de Belo Horizonte e Cataguases. O resultado dessa linha do tempo foi a Caravana Modernista.
A exposição ainda apresenta uma série de trabalhos que contribuem para entendermos melhor o período modernista no Brasil e suas contribuições em Minas Gerais.
A expedição
Em 1924, após passarem o carnaval no Rio de Janeiro, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros três amigos optaram por prolongar a viagem e assistir as celebrações da Semana Santa em Minas Gerais. Mas, de um simples percurso pelo interior do país, o passeio histórico ganhou tanta importância que se tornou uma verdadeira expedição pela busca de uma identidade nacional e pela valorização do Barroco e do legado de Aleijadinho.
Para os modernistas, o Barroco Mineiro foi a primeira expressão autoral e de ruptura com os padrões europeus, exatamente pela distância entre Minas Gerais e o mar. A 70 quilômetros de Belo Horizonte, seguindo em direção à Cataguases, a primeira parada ocorreu em Congonhas, cidade com um expressivo conjunto de riquezas barrocas e um significativo acervo do mestre Aleijadinho, exposto a céu aberto. A parada seguinte foi Barbacena. A cidade abriga, hoje, a Estação Ponto de Partida, sede do grupo de teatro homônimo que ocupa os casarões da antiga Estação Sericícola, a segunda fábrica de seda do Brasil e a mais sofisticada das Américas em sua fase áurea.
De Barbacena, o grupo seguiu para o destino final: Cataguases. Foi no século XX que Cataguases passou a ser uma cidade associada ao desenvolvimento industrial e cultural, fruto do espírito modernista que tinha começado a impregnar as relações e acontecimentos na região. A partir da década de 1940, os aspectos do Modernismo ganharam ainda mais destaque e impacto na cidade, possibilitando um efetivo papel transformador nos âmbitos urbanísticos, cultural e social – assim como na arquitetura.
Exposição “Caravana Modernista”
Data: 13/11 a 16/12o
Dias e Horários: De Quarta à Segunda, das 10h às 22h
Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários)
Entrada Gratuita
Fotos: Bela (CCBB-BH)