Vídeos de artistas, textos curatoriais, lives e troca virtual de “correspondências artísticas” marcam a nova programação digital da FCS
A Fundação Clóvis Salgado (FCS) dá continuidade ao projeto Palácio Em Su Companhia com conteúdo inédito desenvolvido pela Gerência de Artes Visuais da FCS. As postagens, por meio do Facebook, Instagram e YouTube da instituição, propõem novas reflexões acerca dos universos artísticos por meio de diversos eixos temáticos e ampliam a mediação cultural das artes visuais com seu público e com novos públicos, bem como democratizam o acesso à história da arte contemporânea por meio digital.

A programação conta com vídeos produzidos por artistas, textos curatoriais, reflexões acerca da história de obras e processos de montagem de exposições produzidas pela FCS, e até mesmo uma troca de cartas virtuais entre a instituição e artistas que já expuseram na casa. O projeto também compreende transmissões de lives pelo Instagram, como a conversa realizada com o curador geral do Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça, Marcus Lontra, sobre o panorama da exposição que será realizada do Palácio das Artes de forma gratuita tão logo as instruções para o enfrentamento do Covid-19 determinarem os protocolos sanitários para abertura segura da galeria.
Eixo 1: Arte em Sua Companhia
O eixo Arte em Sua Companhia compreende postagens em formato audiovisual criadas por artistas durante o período de isolamento social, divulgados no Youtube e Instagram (IGTV) da Fundação Clóvis Salgado. Os vídeos, gravados pelos próprios artistas, curadores e produtores convidados, têm como norte o questionamento sobre onde e como a voz da arte ressoa durante o período de pandemia. Nesse eixo, o público encontrará reflexões sobre experimentos, incertezas e processos de produção durante esse momento de reinvenção, em que o ritmo se enquadra cada vez mais ao digital. A pergunta “o que você tem feito durante o período de isolamento social?” dá o tom das gravações, com o intuito de explorar o cotidiano daqueles que fazem parte do segmento artístico.
A programação do eixo 2 inclui o trabalho de Efe Godoy, artista de Sete Lagoas que vive e trabalha em Belo Horizonte. Godoy expõe no primeiro vídeo da série Arte em Sua Companhia parte de seu cotidiano de criação, no qual busca a reverberação do afeto, mesmo em tempos de isolamento social. Efe passou pela Escola Guignard UEMG e continua sua formação através de vivências em residências no Brasil e exterior. Algumas dessas vivências transformadoras se deram nos últimos anos, como a participação no Bolsa Pampulha, a residência artística no EAC-Montevideo_UY, a residência Adelina _SP, a participação no Hemiencuentro – Instituto Hemispheric NY University, na Cidade do México, e na mostra VERBO de performance Arte na Galeria Vermelho - SP.
Eixo 2: Reviva uma Obra – Conhecendo a trajetória em Artes Visuais da FCS
Através do suporte da imagem, com postagens pelo Instagram e Facebook da instituição, o eixo Reviva uma Obra trabalha com a memória da instituição, buscando relembrar e celebrar as exposições realizadas pela FCS. As publicações partem da postagem de uma foto com uma obra de algum artista que já passou pelo Palácio das Artes ou pela CâmeraSete – Casa da Fotografia de Minas Gerais, acompanhado por um texto da Gerente de Artes Visuais da FCS, Uiara Azevedo, contextualizando, refletindo e propondo questionamentos acerca da obra.
A programação do Eixo 2 consiste no site specific realizado para a exposição Pintura ou fotografia como violência, do artista paraense Éder Oliveira. Esta exposição foi uma das vencedoras do Edital de Ocupação de Artes Visuais da FCS, em 2017. A obra foi feita por Éder Oliveira em um gigante painel, no local, durante a montagem da exposição – e foi doada para o acervo da Fundação Clóvis Salgado. Em texto que acompanha a postagem, Uiara Azevedo reflete sobre a pesquisa e trabalho do artista, que perpassa a identidade cultural brasileira, a miscigenação, e a invisibilidade de povos pretos e indígenas.
Eixo 3: Cartas de Exposição – Uma forma de correspondência
O eixo Cartas de Exposição expõe, por meio de destaque no site da FCS, cartas de artistas que já expuseram no Palácio das Artes e na CâmeraSete. Os textos publicados são respostas à própria FCS, que enviará a cada artista uma carta virtual, convidando-o a contar um pouco da experiência de produzir uma exposição na Fundação Clóvis Salgado.
Trechos da carta serão divulgados no Instagram, acompanhados por imagens da exposição, como chamada ao público e forma de instigar a leitura. De modo a instigar um olhar afetivo em torno do cotidiano, o eixo busca recuperar de forma sensível a experiência da correspondência, que por décadas foi a principal forma de comunicação, desde a invenção da escrita. Das cartas aflitas de Van Gogh para o irmão Théo até as trocadas entre Mário de Andrade e Anita Malfatti durante o Movimento Modernista, as correspondências foram importantes suportes na comunicação entre artistas das práticas de ateliê e registros de processos e memórias. Instigar artistas a se corresponderem com a FCS em tempos de isolamento social, é, sobretudo, uma maneira de retomar a memória das artes visuais através de um mecanismo simples e embebido de simbologia.
Foto Miniatura: Cena de vídeo do artista Efe Godoy (Divulgação Efe Godoy)
Foto Interior: Exposição Eder Oliveira - Pintura ou Fotografia como Violência, 2017, Galeria Genesco Murta (Divulgação FCS)