
Cantemos, Musa, a fundação da primeira
Da Capital das Minas, onde inteira
Se guarda ainda, e vive inda a memória
Que enche de aplauso de Albuquerque a história.
Canto I de Vila Rica (1773), de Cláudio Manuel da Costa.
A formação de Minas Gerais se deu em torno do descobrimento de vestígios de ouro e dos conflitos que se estabeleceram em torno desse território. Com a divisão da Capitania do Rio de Janeiro após a Guerra dos Emboabas (1708-1709), foi criada a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro em 1709, a qual, após discussões e a eclosão da Revolta de Filipe dos Santos (1720), foi, por sua vez, novamente dividida, dando origem à Capitania de Minas Gerais em 1720.

O povoamento na região já avançava, e suas vilas mais antigas – as cidades de Mariana, Ouro Preto e Sabará de hoje que remontam ao ano de 1711 – tornaram-se centros políticos e econômicos da capitania. Durante o século XVIII, os avanços pelo território foram motivados pela exploração de ouro e pela descoberta de diamantes na região que passou a ser conhecida por Distrito Diamantino em torno do Arraial do Tijuco, atual Diamantina.
As cidades surgiram como espaços de sociabilidade, de disputas pelo poder e de conflito. A escravização era pilar das relações sociais e econômicas, ao passo que a religião, sobretudo por meio das ordens terceiras e irmandades religiosas, foram fundamentais para a estruturação de laços que conferiam coesão à sociedade colonial e eram elementos comuns na vasta extensão territorial da Capitania.

A exploração de riquezas, o crescimento da população, a cobrança de impostos e a distância da metrópole criaram um ambiente propício para o surgimento de movimentos revoltosos e em busca de emancipação política da coroa. Urdida pela elite da Capitania, a Inconfidência Mineira foi um movimento que, embora não concretizado, ganhou destaque e seus protagonistas tiveram punição exemplar como demonstração de força da Metrópole sobre o território colonial, legando para o futuro a emblemática figura de Tiradentes.