
É um Minotauro a História!
No ventre seu, que é como infindo abismo,
Recolhe reis, nações, o patriotismo,
A grandeza, a miséria, a infâmia e a glória!
(...)
E agora, entre tesouros
Das projeções do amor, etéreo raio,
História, guarda o sol - 13 de maio
Que irá dar luz aos séculos vindouros!
Trecho do Poema "Ao glorioso 13 de maio", de Soares de Souza Júnior. In: Panfletos abolicionistas: o 13 de maio em versos (2007).
A escravização e as incursões pelos sertões de Minas Gerais não se deram sem oposição. Negros utilizavam-se das mais variadas estratégias de subversão do domínio que se procurava impor no cotidiano com fugas, desrespeito às posturas municipais, revoltas e formação de quilombos no interior do território. A investida da catequese dos povos indígenas, especialmente no vale do Rio Doce, também se deparou com resistência, batalhas e mortes do lado dos nativos e dos colonizadores.
Minas Gerais seguiu ao longo do século XIX sem grandes rupturas. A escravização sofria desgaste interna e externamente e sua abolição foi objeto de longos debates. As relações com o Império seguiram tensas com revoltas que eclodiam em busca de maior autonomia. Minas Gerais foi um dos motores da construção de uma nação que só começou a tomar forma a partir de 1850. As cidades se aceleravam, a circulação de ideias se expandia e o fim da monarquia ganhava espaço em uma incipiente esfera pública. A Proclamação da República foi mais uma tentativa de se mirar um ideal de nação e deixar o passado colonial para trás.