“Antes de Mim, Falaram os Meus Ancestrais” reúne produções de artistas indígenas e não indígenas inspiradas nas vivências e memórias das famílias Pataxó Ha Hã Hãe em Minas Gerais (Foto Tunay Xavier)
O Centro de Arte Popular (CAP), integrante do Circuito Liberdade, convida o público para conferir os últimos dias das exposições temporárias "Antes de Mim, Falaram os Meus Ancestrais" e "Das Margens à Fonte", que encerram neste domingo, 29/06. Ambas celebram a diversidade cultural e a potência da arte como expressão de identidade, memória e transformação social.
“Antes de mim, falaram os meus ancestrais” ecoa vozes indígenas em obras de forte expressão visual
A exposição convida o público a mergulhar na potência estética e simbólica das culturas indígenas contemporâneas. Com curadoria de Orange Matos Feitosa, a mostra apresenta mais de 20 obras criadas por seis artistas mineiros — Cacique Paulinho Aranã, João Aranã Moreira Índio (João Índio), Márcia Martins, Marlene Aranã, Mônica Mendes e Tânia Caçador — por meio de técnicas diversas como pintura a óleo, aquarela, lápis de cera, técnica mista e instalações.
A mostra é fruto de um projeto que buscou ouvir as vozes das famílias indígenas Pataxó Ha Hã Hãe que engloba diversas etnias: Aranã, Maxacali, Kamakã, Tupinambá, Kariri-Sapuyá, Gueren, que vivem nos municípios de Esmeraldas e Juatuba, com o objetivo de tornar visível para o público em geral onde vivem essas famílias, como trabalham, como mantém suas tradições culturais mesmo distantes de suas terras, como dialogam com a comunidade de não indígenas do entorno, o que produzem artisticamente, como se veem e qual a sua cosmovisão.
"Das Margens à Fonte", de Caio Ronin, retrata o cotidiano poético do Bairro Nova Conquista, em Santa Luzia
Com pinturas que equilibram delicadeza e potência, a mostra é um tributo visual ao Bairro Nova Conquista, em Santa Luzia, onde o artista vive e se inspira. Suas pinturas capturam cenas urbanas cheias de sensibilidade, refletindo sobre identidade, comunidade e o futuro das periferias.
Do mural ao cavalete, Caio Ronin vem desenvolvendo suas habilidades de forma independente. Mesclando à sua sensibilidade o urbano e a tradição – grafite, breaking, rap, funk, congadas e benzimentos – o artista trabalha em torno de retratos, elementos populares, plantas e animais, dando-lhes novos significados.
Centro de Arte Popular
O Centro de Arte Popular apresenta um amplo panorama de obras que privilegiam a riqueza e a diversidade das manifestações culturais populares, valorizando o trabalho de criadores que traduzem no barro, na madeira e em outros materiais o universo em que vivem. Sua edificação principal foi construída para uso residencial na década de 1920, tendo sido também a sede do antigo Hospital São Tarcísio.
No ano de 2012, a edificação foi adaptada para abrigar o CAP, onde o público pode conhecer obras de artistas de várias regiões de Minas Gerais, como o Vale do Jequitinhonha, Cachoeira do Brumado, Divinópolis, Prados, Ouro Preto, Sabará e outras, entrando em contato com elementos representativos da pluralidade da cultura mineira. O edifício possui quatro salas de exposição permanente, uma para exposições temporárias, uma sala para oficinas de arte e ainda um pátio interno.
Circuito Liberdade
O Circuito Liberdade conta com 35 equipamentos integrados, reunindo diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos espaços do Circuito buscam o desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades. O Circuito Liberdade tem gestão da Fundação Clóvis Salgado, uma autarquia da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult).
SERVIÇO:
Exposições ”Antes de mim, falaram os meus ancestrais” e “Das margens à fonte”
Período de visitação: até 29 /06 (domingo)
Horário de visitação: 6ª, das 12h às 18h30; sáb. e dom., das 11h às 17h
Local: Centro de Arte Popular (Rua Gonçalves Dias, 1.608, Lourdes)

